Perdão, pessoal.
Perdão, pessoal.
Eu lhes peço
perdão pelo que já fiz e deixarei de fazer, porque a partir de agora eu,
finalmente, irei começar a fazer por mim o que fizera por vocês. Perdão! Não é
nada pessoal, pessoal; bem, na verdade o é também, e se não absolutamente,
porque nada tenho contra vós, o é substancialmente, em razão de que precisei
reavaliar a maneira pela qual me relacionava com as pessoas – notadamente algumas
- e, na reavaliação, descobri que os acostumei mal com o bem. Melhor, com um ‘’bem’’,
antes do juízo que tirem de alguma pretensão.
Em parte,
meus queridos, vocês não tem tanta responsabilidade. Admito que lhes dei combustível
para cada reincidência e pontos de continuação para cada reinício de ciclos já
findados pelo cosmos. Engoli o que não podia descer, como quem recorre aos
líquidos para desentalar. O meu tipo de Bem era contemporizador e infantilmente
passível, dúctil, viciante como os psicotrópicos. Um bem joguete de ocasiões
que serve como preenchimento de lacunas as quais eu achava que era um missionário
com a incumbência cristã de preenchê-las.
Digo-lhes
com todo meu ser que grita em cada resposta que lhes dou em meus estratégicos silêncios:
eu não estarei mais aqui, ao dispor, nem ouvinte nem falante, porque darei espaço para meus choros
chorarem apenas para os vira-latas e mendigos e sonhos se apresentarem aos meus pesadelos, no degredo, em segredo. Eu vou chorar em silêncio, até soluçar abafado, e vou sonhar
acordado, para que não me espiem cochilando. E em mim afirmo e
reafirmo o quanto meus pensamentos solicitarem que não há peso algum ou
resquício de ponto mal costurado. Lamento pelo que expectei em cada um de vós;
lamento não mais expectar. Estou bem. Não é nada, pessoal.
Pedro Guimarães.

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