Máscaras colantes
Diziam os intérpretes vulgares da espécie humana e suas facetas, assim como os especialistas de certos campos científicos, que todos usávamos máscaras, de uma forma ou de outra, em certo tempo. E que usávamos sem saber e sabendo, éramos, portanto, essencialmente mascarados e culturalmente também segundo eles. O que não esperavam é que, chegaria época, em que todos, absolutamente todos, eles, vocês e eu deveríamos a moldura dos nossos caracteres a máscaras colantes. Fomos impingidos ao desconforto que elas nos impuseram, porém, junto dele, veio possibilidades de manutenção, mudança ou, até mesmo, regressão. Para alguns, tempos de peste; já outros, tempos de benção. Foi aterrador, porque nos desconstruiu. Aliás, equivoco-me, fez-se por cima, qual massa corrida sobre a estrutura que já existe. Antes, todos, absolutamente todos regozijavam de suas molduras, usavam-nas como bem queriam, enganavam, ainda que para se proteger e não ferir, dos distantes aos mais próximos, e si...