Liberdade.
Liberdade.
Liberdade.
Entrar onde pudessem
me trancar,
Talvez me entregar, sem me perder –
Mas livre
para a liberdade me prender -
Sem me
conter, e nada me deter,
Tendo a
benção para poder descontrolar.
Quero me
prender, mas desejo me livrar.
E se a Liberdade
me livrar de me prender,
Prefiro
então me recolher
E limitar
meu caminhar.
Livra-me,
senhor, de toda liberdade malsã.
Restringe-me;
estreita-me os passos.
Cerca-me de
todo livramento divã,
E
Acrisola-me após os percalços.
Mergulhado
neste colo macio , quero-lhe como o infinito.
Infinito...Desejo-o
justamente porque conheço a verdade.
És puro,
senhor infinito, tal como o sublime colo
Que devoro
sem voracidade...
Cheguei...Vim
de onde queria ficar,
Tenha talvez
me entregado, sem ter me perdido.
E como ser livre sem se perder? Digo livre de me desprender
De me conter
e querer deter
O que não dá
pra controlar.
Senhor... Liberta-me
para viver
Evita-me de
esquivar dos cárceres do amar
Porque se a
liberdade me impedir de me trancar
Nunca irei
me alegrar no recolher.
Pedro Guimaraes.
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